Fapespa promove evento internacional para oportunizar programas acadêmicos nas mais importantes universidades e centros de pesquisas europeus
O Fórum EuroAmazônico de Ciência, Tecnologia e Inovação, discutiu novos arranjos de parcerias estratégicas com ações de fomento ao desenvolvimento científico, tecnológico e inovação do Pará
Texto: Douglas Dinelly
A iniciativa da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisa (Fapespa), órgão do governo do Pará, foi articulada com a “Delegação da União Europeia” no Brasil ainda durante a 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em julho de 2024, na “Cidade Universitária” do Campus do Guamá, na Universidade Federal do Pará (UFPA).
Na reunião da 76ª SBPC, a Fapespa disponibilizou um espaço dedicado à discussão, diálogos e apresentação de programas já existentes ao impulsionamento de ações alinhadas às políticas setoriais do estado que necessitam ser viabilizadas.
Rumo à COP 30: Bioeconomia
No primeiro dia do evento, quinta-feira, 24, o tema “Rumo à COP 30: Perspectivas e Cenários de Parcerias”, com a apresentação do “Plano Estadual de Bioeconomia (Planbio)” pela secretária Adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, que traçou um panorama normativo e ações estabelecidas pelo estado do Pará, com planos e metas.
No painel “Cenário da CT&I Como Meio Promotor de Desenvolvimento Sustentável”, a exposição dos representantes da Comissão da União Europeia e Estados Membros e, à tarde, ocorreu uma rodada de “Discussão sobre ações concretas nas parcerias internacionais”, em reunião reservada com todos os atores convidados e sob liderança do presidente da Fapespa, Marcel Botelho.
A sexta-feira, 25, um dia dedicado à programação de visitas técnicas aos laboratórios do PCT Guamá, financiados pela Fapespa, Embrapa Amazônia Oriental e o Campus de Pesquisa do Museu Emilio Goeldi.
O evento considerado um “divisor de águas” para os avanços esperados pela comunidade científica do Pará, traduzido na recepção no estado dos representantes de oito “estados membros” da União Europeia (UE), interessados em ampliar a cooperação bilateral com o Pará, por meio da Fapespa, com o fomento à ciência, tecnologia, inovação e a articulação do sistema estadual dessa área.
Na lista de países convidados que conheceram a missão do “Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá” (PCT-Guamá), a Alemanha, Áustria, Bélgica, Eslovênia, Finlândia, França, Hungria e Suécia, de universidades seculares, tradicionais, prestigiadas e reconhecidas por sua excelência acadêmica e de pesquisa.

Os expositores apresentaram as oportunidades de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado e programas de aperfeiçoamento de alta performance para cientistas com trabalhos reconhecidos, esclareceram as modalidades das bolsas ofertadas por meio de Chamadas Publicas, critério para acessá-las, moradia, seguro saúde e outros itens para dar tranquilidade aos bolsistas, que em alguns casos podem levar a família.
As informações podem ser acessadas nos sites da União Europeia (UE) no Brasil, consulados e embaixadas dos países dos Estados Membros da União Europeia, ou seja, os que estiveram no PCT-Guamá, a Representação da UE, mais Alemanha, Áustria, Bélgica, Eslovênia, Finlândia, França, Hungria e Suécia, que se orgulha do seu nível sustentabilidade.
Suécia: Sustentabilidade
No contexto da inovação e sustentabilidade, a Chefe Interina do Escritório de Ciência e Inovação da Embaixada da Suécia, em Brasília-DF, Ana Carolina Bussacos Maranhão, lembra que o país valoriza muito o fator sustentabilidade. Sem esconder um certo orgulho, lembra que todos os resíduos sólidos (lixo) gerados na Suécia são aproveitados. Vira gás, vira combustível. A Suécia até importa lixo, ressalta.
E, prossegue, ao enfatizar que “a Suécia preza muito por sustentabilidade, por reciclagem e tudo isso a gente pode trabalhar com a Amazônia. Primeiro, porque é o futuro. É a questão da situação climática, do planeta em si. Mas, além de tudo isso, a Suécia é um país que é muito inovador”.
Ela finaliza ao citar o sistema de patentes no País “com muitas patentes, muita visão de futuro ligando as universidades às indústrias. Então o objetivo da Suécia é pegar a produção científica e transformar em Ciência Aplicada, aquilo que o consumidor vai usar, e tudo focado em sustentabilidade, proteção ambiental e cuidados com o clima, também. É por aí que podemos colaborar com a Amazônia, penso”, provoca Carolina.
Hungria: Bioeconomia
Júlia Moraván, Cônsul de Ciência e Tecnologia do Consulado-Geral da Hungria em São Paulo (SP), diz que o país que já recebeu de 17 prêmios Nobel, pode aprender muito o povo do Pará, da floresta, na área da bioeconomia e ajudar com tecnologia esse setor.
Discutir como os pesquisadores conseguem interagir com as comunidades indígenas e ainda tornar as pesquisas básicas em aplicadas para serem usadas nos dias de hoje.
“Vamos ver como a gente pode fazer essa aproximação com as academias locais, a partir de encontros, reuniões como estas realizadas em Belém, neste parque de ciência e tecnologia. Podemos dar colaboração no que foi tratado aqui, por exemplo, para a indústria, local. Então o consulado tem interesse no contato com as universidades e pesquisadores locais. Temos conhecimentos sobre novas tecnologias, então basta acessar o site do Consulado-Geral da Hungria em São Paulo (SP).
União Europeia: Informação
Dhallys Mota Nunes, Oficial de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia no Brasil e Representante do Brasil da União Europeia (UE), mostrou preocupação com a necessidade de mais informação à sociedade do que as universidades e institutos da Amazônia estão fazendo na busca de soluções. Não só Europa, mas os Estados Membros acreditam que a informação é muito importante para a sociedade local e internacional.
“Então este é o primeiro passo que todos nós estamos dando que é o de promover esse ‘jogo de informação’ com as academias, os centros de pesquisa, instituto de ensino, pequenas e médias empresas, que também fazem desse rol de inovadores, atualmente. Para conhecerem um pouco das oportunidades de pesquisa e inovação que estão disponíveis, não só na Europa, mas na União Europeia”, ressalta Dhallys.
O executivo destaca que são várias as oportunidades, independentemente da área, que podem ser utilizadas de forma direta em relação à COP 30 e cita a bioeconomia, energias renováveis e o cenário do clima.
Enfatiza que a promoção Fórum EuroAmazônico de Ciência, Tecnologia e Inovação é para mostrar que há um “potencial de internacionalização reverso”, ou seja, de trazer os estados membros ao Pará. à Região Norte, e se ver todo o potencial de pesquisa colaborativa internacional a partir das experiências locais.
“O primeiro passo, reitero, aconteceu em julho de 2024 na reunião da SBPC, aqui em Belém. Agora, nós estamos continuando com todas as informações que nós começamos coletar, já no ano passado, para dar esse pontapé na parte mais concreta de propostas, de desenho de propostas e envio de propostas”, resume Dhallys Mota

Internacionalização da Pesquisa
Ao diretor Científico da Fapespa, Deyvison Medrado o que lhe chama atenção e que a Fapespa pretende dinamizar aproximação no sentido de que mais pesquisadores sejam enviados daqui e solicitar que mais pesquisadores venham também para conhecer a Amazônia.
“É pensar em cooperação internacional, e no que a gente pode fazer, sempre alinhado com as políticas setoriais do estado do Pará, a intenção da Fapespa, agora, é coletar os feedbacks das instituições”, enfatiza o diretor Científico.
E, avança: “Ou seja, após apresentação dos envelopes de oportunidades, programas, projetos e elaborar propostas e alinhar essas demandas nessas áreas de interesses que as instituições vão movimentar para que a gente possa acessar, individualmente, cada um dos Estados Membros”.
Completando que para “isto se tenha uma conversa direcionada, mais propositiva para compreender de que forma podemos lançar novas estratégias para potencializar a internacionalização da pesquisa científica no estado do Pará”, arrisca o diretor Medrado.
Credenciamento: Laboratórios
O diretor-Presidente da Fundação Guamá, gestora do PCT-Guamá, João Crisóstomo Weyl, sinaliza que a ideia da criação do Parque foi ação estratégica do governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), da qual o PCT-Guamá e a Fapespa são partes de um mesmo ecossistema, fundamental à integração do PCT e seus laboratórios residentes, associados e ao conjunto de pesquisadores, mestrandos, doutorandos, empresas residentes, incubadas e startups.

“Então, são fundamentais ações dessa natureza, e quando o governo recebe missões estrangeira, caso recentemente da China, esta missão da União Europeia e Estados Membros, temos de mostrar a pujança científica, tecnológica e de inovação desenvolvida por universidades parceiras do PCT”, comemora Weyl.
O titular da Fundação PCT-Guamá também lembra o esforço de iniciar o credenciamento de “Laboratórios Associados”, outra estratégia que vai possibilitar a aproximação dessas instalações do interior do Pará, por exemplo, cito o caso do município de Altamira, sudoeste do estado, e dos campi da UFPA, UFRA, UFOPA, UNIFESPA e EMBRAPA na integração do ecossistema do parque de tecnologia. É uma iniciativa para potencializar ações alinhados à política de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado, com a colaboração da Sectet e Fapespa.
Desconhecimento e Aprendizado
O diretor-Presidente da Fapespa, Marcel Botelho, classificou a visita da Representação da União Europeia (UE) e Estados Membros a Belém, no ano da COP 30, um fato altamente relevante e positivo. Mas, por outro lado, o desconhecimento sobre o que realmente a Amazônia, segundo Botelho, ainda é grande desafio a vencer.

Afirma que tal desconhecimento começa no próprio Brasil. Mas certamente os países parceiros da Europa têm uma breve ideia sobre o que temos aqui de potencialidades.
“A região tem universidades fortíssimas em grupo de pesquisas muito capacitados. Em algumas vezes se consegue transparecer isso para aos parceiros. Eles às vezes não veem com preconceito. Muitas vezes enxergam os pesquisadores da Amazônia profissionais que não têm condições de fazer uma parceria de iguais”, adverte Botelho.
“Mas, na verdade a UFPA, UFRA, ο UEPA, UFOPA, UNIFESPA, CESUPA, MPEG, EMBRAPA – veja quantas instituições nós temos capacidade de pesquisa e contribuições altamente relevantes ao longo desses últimos anos para o desenvolvimento sustentável dessa região”, defende Marcel.

E, entende a proposta de agenda do Fórum como algo marcante: “então, esta reunião, em Belém entre pares aqui no PCT é um momento de aprendizado. Um evento desse serve para que possamos aprender quais são as possibilidades de parceria que nós podemos ter com eles.
“Mas serviu muito para que os representantes de oito países europeus observassem qual é a nossa potencialidade instalada de pesquisa na região amazônica, nessas universidades paraenses”. E, fconclui: “com isto eles vão certamente vão sair daqui com uma visão diferente, capaz de fazer com que o Pará seja muito mais atrativo, não só para mandar pesquisadores capacidades à Europa, mas para receber os europeus aqui. E esse vai ser o grande mote, o argumento da Pós-COP 30: recebermos pesquisadores aqui para o desenvolvimento local e dignidade das pessoas da floresta e rios”, acredita Botelho.

