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Matéria publicada em: 11/06/2012
Leia o Artigo de Mário Ramos Ribeiro, doutor em Economia pela USP, docente da UFPA, presidente da FUNDAÇÃO AMAZÔNIA PARAENSE DE AMPARO À PESQUISA - FAPESPA.
É possível administrar sem indicadores? Apenas com a genuína intuição, na base do instinto? Seguramente não. Sem indicadores ninguém gerencia. Existem uns trocentos e trinta e dez indicadores de desenvolvimento sustentável. A ONU tem os seus; as universidades têm produzidos cada vez mais indicadores (dica: o leitor interessado no assunto pode encontrar uma enciclopédia de indicadores no site ttp://www.compendiosustentabilidade.com.br/compendiodeindicadores/default.aspe, a partir das referências ali colocadas, ir às fontes primárias. Bon appetit!). Qual o melhor? Ou devemos usá-los todos juntos?
Fenômenos complexos exigem simplificação. Ninguém explica o “fenômeno” usando argumentos complexos. Um bordão atribuído a Leonardo da Vinci expressa bem o nosso argumento: “... a simplicidade é o último grau de sofisticação”. A ciência é a arte de bem simplificar!
O Banco Mundial desenvolveu um indicador de desenvolvimento sustentável (IDS) e o batizou de “Poupança Ajustada Líquida” ou ainda “Poupança Genuína (PG)”. Antes de me referir às qualidades técnicas da PG, deixem-me dizer como se utiliza a PG.
A PG é medida em termos percentuais em relação à Renda Nacional Bruta (RNB). Assim, um país (ou região, ou ainda mesoregião) cuja PG declina mês após mês e sai de, digamos, 10%, prosseguindo em queda: 8%, 5%, 2% etc., está consumindo recursos naturais a um ritmo que beira a entropia, ou seja, o país pode até estar crescendo, mas o crescimento de sua Renda Social se faz com depleção do meio ambiente.
Quando a PG foi aplicada em 140 países pelo Banco Mundial, em 2007, ela encontrou alguns resultados curiosos. Na região da África subsaariana, sua renda social, medida pela Renda Nacional Bruta (RNB), crescia a taxa de 2% ao ano, mas a sua PG declinava e chegava até o número negativo de 6%. Assim, o modelo de crescimento nestes países não era sustentável, segundo IDS do Banco Mundial.
Para os países que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e possivelmente os 34 países onde vicejam a democracia e um sistema econômico mais justo e amparado no mercado, a média do crescimento da RNB e da PG encontrada naquele ano foi igual a 3% e 6%, respectivamente (cf.”Where is the Wealth of the Nations?”, sítio eletrônico do Banco Mundial). Aqui, contrariamente ao que ocorre nos países abaixo do deserto do Saara, o crescimento é econômico - ambientalmente sustentável.
Bom, sem saber como se constrói esse IDS, o leitor deve ficar, com muita justiça, para lá de desconfiado. Mas então como é que se constrói esse IDS? Vou explicar de forma estilizada sem me preocupar os detalhes da contabil idade social. A PG é o resultado das seguintes operações por período de tempo: (Poupança Bruta do país ou região) + (gastos em educação e investimento em ciência e tecnologia) - (danos da poluição ambiental) - (danos ambientais pela exaustão de recursos naturais = Poupança Ajustada Líquida ou PG.
No caso da Amazônia, por exemplo, poderíamos avaliar o IDS por mesoregião. Mas, por enquanto, falemos hipoteticamente de apenas dois municípios, Santo Antão e Santo Anão. Em Santo Antão, a Renda Social cresce durante doze meses (quatro trimestres) a 3% ao ano, enquanto que a sua PG se mantém razoavelmente estável em 6%, a cada trimestre. Por seu turno. Em Santo Anão, a Renda Social cresce durante doze meses a 5% ao ano, mas a sua PG no primeiro trimestre é igual 10%, já no trimestre seguinte começa a cair: 7%; depois 5%, e no último trimestre já está negativa.
Ora, aqui aparece uma das excelentes propriedades da PG: ela pode ser usada como “termômetro”, e assim “indicar e antecipar o risco de perda de sustentabilidade”. No caso de Santo Anão, já no segundo trimestre do ano a autoridade pública pode intervir (a renda do município cresce, mas a sua PG decresce), não sendo necessário esperar que a catástrofe se instale (a PG do município chegue a ser negativa!).
O desenvolvimento sustentável precisa de monitoramento permanente, e as intervenções precisam ser urgentes. A taxa de Poupança Genuína do Banco Mundial tem este requisito de tempestividade. Esse tipo de assunto não pode ser ignorado pelo governo brasileiro durante a Rio+20!
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